Pro.Benfica

Segunda-feira, 8 Novembro, 2010

José Eduardo Moniz: «Jesus sacrificou-se»

Filed under: Benfica, Opinião — Etiquetas: — pro.benfica @ 12:27

          Comecei a escrever este texto ainda com o jogo a decorrer. O Porto ganhou. Não bem, mas muito bem. Foi a melhor equipa em campo e a única que mostrou possuir a ambição de que são construídos os campeões. O jogo começou a ser ganho fora do relvado, no momento em que se percebeu que Jorge Jesus, ele próprio, não tinha confiança nos seus jogadores nem no esquema que tem servido de base ao futebol do Benfica. A opção por David Luis a defesa-esquerdo serviu de sinal claro para o público reconhecimento das fragilidades da sua equipa. Esta derrota, que liquida as aspirações benfiquistas na revalidação do título, é da inteira responsabilidade do treinador.

          Denunciou ter medo, revelou falta de ousadia e não soube adequar o modelo tático ao dispositivo do FC Porto. Flagrante a ingenuidade de pensar que Hulk ficaria estático e não mudaria de corredor, se necessário, para atingir a grande área encarnada.

          Vulgarizou o seu jovem defesa-central, que se viu sempre com enormes dificuldades para travar o possante avançado brasileiro, e anulou, com uma decisão insensata, Fábio Coentrão, que já provou, tantas vezes, ser complicado de parar quando vem de trás. No duelo com André Villas-Boas, Jesus saiu claramente a perder. Não é admissível tão clamorosa falha de análise e previsão por parte de um treinador que sirva o Benfica. A equipa claudicou, por completo, na primeira parte, sem tino, sem tranquilidade, sem que se percebesse o que queria. Foi triste ver os ainda campeões perdidos perante a solidez, força de vontade e determinação dos jogadores portistas. Esta Liga, para o Benfica, acabou. Não há nada a fazer.

          Os erros de planificação do início da época, as contratações a peso de ouro que não encaixam no xadrez e o desequilíbrio emocional que parece ter-se apoderado da equipa não permitem pensar de outro modo. É melhor o Benfica começar a planear a época 2011/2012, executando o trabalho de casa com discrição, longe dos holofotes da imprensa, sem guerras de palavras e, sobretudo, pensando a sério na hipótese de contratar outro técnico. Alguém que não se deixe deslumbrar consigo próprio e que saiba, com humildade, dar valor ao dinheiro que lhe é posto nas mãos para formar um grupo de trabalho.

          A goleada do Dragão, ao menos que sirva para que se enterre de vez a presunção dos que pensam que a camisola do Benfica, só por si, ganha os jogos. Isso foi chão que deu uvas…

 

(c) Record on-line

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